6 junho 2018

Prémio Visão. A mudar os cuidados da visão no Nepal

Membros da equipa do NNJS, vencedores do Prémio António Champalimaud de 2013, regressaram a Lisboa, no dia 3 de Julho, para partilhar o trabalho que fizeram nos últimos 5 anos e apresentar os resultados que alcançaram e como aplicaram o prémio recebido.

Prémio Visão. A mudar os cuidados da visão no Nepal

Em 2013, o Prémio Antonio Champalimaud de Visão foi atribuído a 4 organizações no Nepal. Durante mais de três décadas, estas organizações têm trabalhado arduamente, no terreno, para fazer chegar os cuidados de saúde oftalmológicos às populações localizadas em algumas das áreas mais remotas do mundo. Um dos premiados foi a Nepal Netra Jyoti Sangh (NNJS), que desempenha um papel preponderante na coordenação de 18 hospitais, 39 filiais, 80 centros de tratamento espalhados pelas províncias nepalesas e inúmeras ações de “outreach” para fazer chegar os cuidados médicos às pessoas que estão impossibilitadas de aceder aos centros de tratamento e cirurgia.

Agora, 5 anos depois de terem visto o seu trabalho reconhecido pelo Prémio António Champalimaud de Visão, membros da equipa do NNJS regressaram a Lisboa, no dia 3 de Julho, para partilhar connosco os mais recentes resultados e conquistas, parte deles possíveis graças ao prémio recebido.

Se em 1981 - altura em que foi realizado um estudo para aferir o impacto da cegueira no Nepal (Nepal Blindness Survey) - a prevalência da chegueira atingia 0,84% da população nepalesa, mediante a ação da NNJS e instituições a ela associadas, hoje em dia afeta apenas 0,35% da população e existe a expetativa de reduzir essa percentagem para 0,20%, já em 2020. Adicionalmente, o Tracoma, identificada como a 2ª causa de cegueira no país, foi totalmente eliminada enquanto problema de Saúde Pública.

Num país em que 90% dos cuidados oftalmológicos são prestados pela rede de Hospitais e Centros da NNJS, a atribuição do Prémio António Champalimaud de Visão teve um profundo impacto na organização, em termos diretos e indiretos. Por um lado, alcançaram um reconhecimento e projeção internacional que foi instrumental na implementação do seu plano de atividades. Por outro lado, concedeu-lhe os meios financeiros necessários para, entre outros exemplos, abrir um Hospital de 2º nível em Katmandu, criar o “Champalimaud Research Department” no Lumbini Eye Institute; estabelecer, na zona de Lumbini, um programa de apoio às população mais pobres para tratamento do Retinoblastoma; montar o primeiro serviço de patologia ocular do Nepal através do EREC-P (Eastern Regional Eye Care Programme) e apostar na formação dos recursos humanos através de cursos de oftalmologia avançados e programas educativos.

E se em 5 anos, são muito boas as notícias que nos chegam do Nepal, continuam a existir 120.000 pessoas cegas no Nepal, número a que se acrescentam 25.000 novos casos todos os anos, muitos deles tratáveis e evitáveis, sendo este um claro indicador do muito que ainda há para fazer.

Foi assim com enorme prazer que a Fundação Champalimaud recebeu o Prof. Dr. Tirtha Prasad Mishra, Presidente da Nepal Netra Jyoti Sangh; o Sr. Shyam Kumar Pokhrel, Presidente do EREC-P e Secretário-geral da NNJS; o Sr. Sagar Pratap Rana, Presidente do Lumbini Eye Institute e membro do NNJS e o Sr. Sailesh Kumar Mishra, Diretor Executivo do NNJS. E com ainda maior satisfação que ouvimos, pela voz de quem trabalha no terreno, a diferença e o impacto que o Prémio António Champalimaud de Visão teve em populações que enfrentam enormes desafios geográficos, politicos e humanitários. Pelo vosso trabalho os nossos parabéns e o nosso profundo agradecimento.

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