3 setembro 2020

Experiências sociais impactam o peixe-sebra desde tenra idade.

Investigação sobre o peixe-zebra demonstra que as primeiras experiências sociais têm um efeito no comportamento do peixe, mesmo numa idade em que ainda não são considerados "sociais"

Experiências sociais impactam o peixe-sebra desde tenra idade.

Costuma dizer-se que as experiências na infância definem o comportamento na idade adulta; que acontecimentos dos quais podemos até nem nos lembrar podem ter efeitos duradouros, talvez até permanentes. No novo artigo da Champalimaud Research, publicado no jornal Current Biology, estudos no peixe-zebra revelaram que as experiências sociais durante a primeira semana de desenvolvimento impactam o comportamento num nível larval inicial, antes que os peixes sejam considerados 'sociais'. Isso sugere que essas experiências são marcantes para os peixes muito mais cedo do que se pensava.

Com o objectivo de descobrir como o comportamento dos peixes pode ser afetado pelas primeiras experiências sociais, as larvas do peixe-zebra foram criadas em grupos e também sozinhas num prato. Em seguida, foi usada monitorização vídeo de alta velocidade para medir com precisão os movimentos dos peixes a nadar enquanto interagiam. O que foi descoberto surpreendeu Antonia Groneberg, que liderava o projeto para a sua tese de doutoramento: "Inicialmente pensávamos que os efeitos da experiência social no início da vida só podiam ser observados numa idade em que o animal demonstra atração por estímulos sociais, mas descobrimos que, no peixe-zebra, os efeitos podem ser observados mais cedo. Normalmente, as larvas tendem a afastar-se daquelas que se encontram mais próximas. Descobrimos que as larvas criadas sozinhas reagem fugindo mais intensamente, mesmo quando as outras larvas estão distantes. Isolando contribuições de diferentes sentidos e testando estímulos artificiais que imitam outro peixe, descobrimos que os peixes criados em isolamento demonstraram reações mais fortes às vibrações locais da água."

Este projeto foi também a base para o vídeo premiado de Groneberg, 'Dance your Ph.D.', que destaca as conclusões deste estudo através da dança interpretativa (que conta com a participação de membros da comunidade da Champalimaud Research).

As próximas fases deste projeto envolvem o estudo da atividade cerebral destes peixes-zebra. Os peixes-zebra larvais são transparentes e, portanto, a atividade cerebral pode ser observada microscopicamente de uma forma que seria impensável noutros modelos de vertebrados. Segundo Michael Orger, responsável pelo Laboratório da Visão para a Ação e um dos investigadores principais do projeto, "usando imagens ao vivo, podemos gravar a atividade em todo o cérebro, desde áreas que processam estímulos sensoriais até às que controlam o comportamento". O investigador principal e responsável pelo Laboratório de Comportamento Colectivo, Gonzalo Polavieja, acrescentou: "Estamos a trabalhar numa abordagem para o comportamento coletivo na qual incluímos informação sobre como o cérebro processa as informações sobre o ambiente e sobre os conspecíficos em seu redor".

Por John Lee, Grupo de Comunicação e Eventos da Fundação Champalimaud.

Publicado na ar magazine.