08 Outubro 2021

Dia Mundial da Saúde Mental 2021: o bom, o mau e o futuro

Este ano, para assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental, pedimos à Equipa da Unidade de Neuropsiquiatria do Centro Champalimaud que olhasse em retrospetiva para os efeitos positivos e negativos da pandemia nas questões relacionadas com a saúde mental e qual o caminho daqui para a frente. As suas respostas conduziram a uma série de observações inspiradoras, cada uma delas traduzindo-se, no final, num apelo à ação.

Dia Mundial da Saúde Mental 2021: o bom, o mau e o futuro

O BOM

Muitos criaram novos hábitos que promovem o bem-estar mental

Carolina Seybert, PhD

Durante a pandemia, algo único aconteceu – o “corre-corre” do dia a dia acalmou e, assim, com menos distrações, começamos a olhar para nós. Muitas pessoas passaram a estar mais atentas aos seus sentimentos e desenvolveram hábitos que favorecem a boa saúde física e mental, como manter uma alimentação saudável, sono regular e exercício físico.

Call to Action: Não perca o ritmo! Criou hábitos positivos durante a pandemia? Então elabore um plano para conseguir mantê-los. Se não foi esse o seu caso, nunca é tarde demais para começar. Faça uma pausa, pense em si, avalie as suas necessidades e como poderá satisfazê-las.

Uma maior consciencialização para as questões relacionadas com a saúde mental

Raquel Lemos, PhD

A pandemia mostrou-nos que qualquer um de nós pode ter problemas psicológicos e que uma boa saúde mental é um aspeto fundamental do bem-estar. Esta constatação levou a um aumento da consciencialização, aceitação e abertura para as questões de saúde mental, que são fundamentais para a promoção da boa saúde mental em toda a sociedade.

Call to Action: Esteja atento(a) às pessoas ao seu redor, seja gentil e paciente. Se estiver, ou alguém próximo de si, a sofrer de problemas psicológicos, procure ajuda profissional. (Consulte uma lista de sugestões úteis no final deste artigo).

Ganhámos uma nova perspetiva

Carolina Seybert, PhD

A pandemia mostrou-nos que qualquer um de nós pode ter problemas psicológicos e que uma boa saúde mental é um aspeto fundamental do bem-estar. Esta constatação levou a um aumento da consciencialização, aceitação e abertura para as questões de saúde mental, que são fundamentais para a promoção da boa saúde mental em toda a sociedade.

Call to Action: Esteja atento(a) às pessoas ao seu redor, seja gentil e paciente. Se estiver, ou alguém próximo de si, a sofrer de problemas psicológicos, procure ajuda profissional. (Consulte uma lista de sugestões úteis no final deste artigo).

O MAU

O auto-diagnóstico e a desinformação sobre a saúde mental podem estar a aumentar

Carolina Seybert, PhD

Se alguém está triste e com pouca energia, isso significa que está deprimido? Uma sensação de ansiedade acompanhada por um aumento da frequência cardíaca significa necessariamente um ataque de pânico? Agora que os problemas de saúde mental entraram no nosso léxico, muitas pessoas passaram a recorrer à Internet para verificar os seus sintomas. No entanto, os recursos para a avaliação de sintomas disponíveis online, apesar de serem de acesso rápido, podem muito facilmente resultar em diagnósticos errados.

Call to Action: O auto-diagnóstico nunca é uma boa ideia, pois não é só o conhecimento profissional que falta, mas também a tão necessária perspetiva externa de um profissional treinado. Se não estiver a sentir-se bem, peça ajuda e obtenha um diagnóstico profissional.

Os maus hábitos recém-adquiridos permanecem 

Ana Maia, MD

A pandemia obrigou-nos a mudar os nossos hábitos de vida em áreas importantes da esfera pessoal, social e profissional. Essas novas rotinas afetaram não apenas a maneira como nos relacionamos, mas também a forma como comemos, dormimos e lidamos com o stress, muitas vezes com implicações negativas para a nossa saúde mental. Com o alívio das medidas restritivas, começamos a regressar às nossas rotinas e estilos de vida, mas algumas pessoas passaram a ter de lutar contra hábitos prejudiciais persistentes que adquiriram durante a pandemia, como a limitação das interações sociais, aumento do tempo passado em frente aos ecrãs, dificuldade em encontrar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, manutenção de uma dieta pouco saudável ou mesmo o consumo excessivo de álcool.

Call to Action: Está com dificuldade em lidar contra os maus hábitos recém-adquiridos? Como alguns desses maus hábitos podem ter consequências negativas a longo prazo, agravando problemas pré-existentes e, eventualmente, contribuindo para o desenvolvimento de doenças mentais, faça um plano para acabar com eles e, se necessário, não hesite em procurar ajuda profissional.

Muitas pessoas ainda estão a lidar com traumas, perdas e luto

Jaime Grácio, PhD

Existem muitas pessoas que ainda sofrem de traumas, perdas e luto causados ​​pela pandemia. E aqui incluem-se todos os que tiveram muito doentes, pessoas que viram a sua vida social limitada, que perderam o emprego ou o acesso a determinados recursos e pessoas que perderam entes queridos.

Call to Action: Esteja atento(a) àqueles que ainda estão a sofrer e mostre empatia perante a sua situação, enquanto os guia na procura do apoio informal junto da comunidade, bem como no acesso a serviços de saúde mental.

O FUTURO

Combater o estigma em torno dos problemas de saúde mental

Albino Oliveira- Maia, MD, PhD

Se alguém sentir uma dor abdominal contínua, provavelmente não hesitará em marcar uma consulta médica. No entanto, o sofrimento mental é muitas vezes ignorado, seja devido a sentimentos de vergonha, culpa ou depreciação. Esta reação é ainda reforçada por tendências sociais que conduzem a um viés negativo em relação aos problemas de saúde mental.

Call to Action: Este é um problema de longa data mas que pode ser superado mediante uma abordagem em duas frentes: com ações de divulgação a um nível institucional e com uma maior abertura a um nível individual.

Melhorar o acesso aos cuidados de saúde mental

Albino Oliveira- Maia, MD, PhD

É crucial uma maior consciencialização da importância da saúde mental. No entanto, este primeiro passo deve ser acompanhado por um sistema de saúde bem preparado, o que, atualmente e infelizmente, não existe em muitos casos. A solução mais óbvia para este problema passa por aumentar os recursos, nomeadamente o número de profissionais e serviços de saúde mental. Mas há outra abordagem muito interessante, que é dar formação em saúde mental a todos quantos, na comunidade, interagem regularmente com um número muito elevado de pessoas, como sejam os médicos de família, enfermeiros, e outros que não necessariamente profissionais de saúde.

Call to Action: Podemos ajudar, dando o nosso apoio a políticas e ações que promovam um melhor acesso aos cuidados de saúde, para todos.

Melhore a sua vida, e a dos outros, sendo altruísta

Jaime Grácio, PhD

Gostaria de deixar uma última mensagem, breve, para que cada pessoa a possa interpretar à sua maneira. A meu ver, a COVID-19  tornou ainda mais evidente o quão preciosa a vida é. Agora que começamos a recuperar da ameaça que o vírus representou, é possível que as pessoas se tenham tornado mais empáticas face ao sofrimento em geral. Esta maneira particular de ver o mundo pode ajudar a promover relacionamentos mais “humanos”.

Call to Action: Reflita sobre o verdadeiro significado de ser um “Ser Humano”. Aproveite esta oportunidade para explorar a fundo os valores humanos. Pense nas outras pessoas, no que ainda estão a passar e precisam, e defina um plano de ações que as possa ajudar.

LINKS (PT):

Saúde Mental – Página Inicial
Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental: SPPSM
Ordem dos Psicólogos Portugueses
Saúde Mental
SAUDEMENTAL.PT
Saudementalpt
UPA Informa – Web site de informação sobre saúde mental

Por Liad Hollender, Science writer e editora da equipa de Comunicação, Outreach e Eventos do Centro Champalimaud.
Animações de Tiago Coelho, Júnior motion graphic artist & video editor da equipa de Comunicação, Outreach e Eventos do Centro Champalimaud. (instagram.com/ttiago_coelho)
Contribuições de:
Diogo Matias, Júnior designer da equipa de Comunicação, Outreach e Eventos do Centro Champalimaud.
António Monteiro, Coordenador de eventos científicos da equipa de Comunicação, Outreach e Eventos do Centro Champalimaud.
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