Foi este o ponto de partida para o programa “Hora de Agir”, da RTP, que dedicou uma das suas emissões à neutralidade carbónica na saúde, destacando o caminho que a Fundação Champalimaud está a fazer para se tornar a primeira instituição de saúde do mundo a consumir 100% de energia limpa. O convidado do programa foi João Silveira Botelho, Vice‑presidente da Fundação Champalimaud, que sublinhou a urgência de transformar a forma como a saúde consome energia e recursos.
Saúde de excelência com menor pegada ambiental
Na Fundação Champalimaud, o compromisso com a sustentabilidade faz parte da visão integrada de saúde. Prestar cuidados clínicos de excelência e desenvolver investigação de ponta implica também assumir responsabilidade sobre o impacto climático das tecnologias utilizadas, das opções energéticas e da forma como se organizam os serviços.
Ao longo dos últimos anos, a Fundação tem vindo a implementar um plano ambicioso para reduzir drasticamente a sua pegada carbónica, intervindo em duas frentes essenciais: a eficiência energética dos equipamentos clínicos e a origem da energia consumida.
Uma parceria para diagnosticar com menos emissões
Na área do diagnóstico por imagem, a Fundação Champalimaud estabeleceu uma parceria estratégica com a Philips, com o objetivo de reduzir em 50% a pegada carbónica associada aos equipamentos de imagiologia num horizonte de cinco anos.
Esta colaboração traduz‑se na aquisição de equipamentos mais eficientes, na otimização dos protocolos de exame e na monitorização contínua do consumo energético. O objetivo é claro: manter - e sempre que possível melhorar - a qualidade e a segurança dos exames, ao mesmo tempo que se diminui o consumo de energia e, consequentemente, as emissões de CO2 associadas.
Para garantir transparência e rigor, a Deloitte foi indicada como entidade independente responsável por medir e validar as emissões de carbono ao longo de todo o projeto, verificando se as metas definidas estão a ser efetivamente cumpridas.
Através desta monitorização contínua, será possível saber, em números, se foi ou não possível cumprir as expectativas. E, em função desses resultados, os termos financeiros da parceria também serão ajustados, as empresas não beneficiarão da redução projetada de 50% se ela não se verificar na prática.
Energia 100% limpa: o projeto com a Greenvolt
Em paralelo, a Fundação Champalimaud assumiu a meta de ser a primeira instituição de saúde no mundo a funcionar exclusivamente com energia de fontes renováveis. Para isso, celebrou uma parceria com a Greenvolt que inclui a instalação de 1 580 painéis solares nas suas instalações em Lisboa, reforçando de forma significativa a produção própria de energia limpa.
Este investimento em energia solar é complementado por contratos de fornecimento de eletricidade proveniente de fontes renováveis, garantindo que toda a energia consumida - desde os blocos operatórios às unidades de investigação, passando pelo diagnóstico por imagem - tem origem 100% verde.
Neutralidade carbónica como parte da missão
A transição energética da Fundação Champalimaud não é apenas um projeto técnico: é uma extensão da sua missão. Ao reduzir a pegada carbónica, a instituição contribui para mitigar os impactos das alterações climáticas na saúde das populações, reforçando o compromisso com o bem‑estar das gerações presentes e futuras.
Como refere João Silveira Botelho, “As questões ambientais, cada vez mais - e a ciência confirma isso - têm um impacto direto na saúde das pessoas. Para uma instituição como a Fundação Champalimaud, focada no tratamento do cancro, trabalhar na sustentabilidade é também trabalhar na prevenção.”
Ser um centro de referência em saúde, ciência e inovação implica, hoje, ir além do que se passa dentro dos laboratórios e das salas de tratamento. Implica questionar como a energia é produzida, como os equipamentos são utilizados e como se pode cuidar melhor das pessoas sem prejudicar o planeta.
Um exemplo para o setor da saúde
Ao colocar a neutralidade carbónica no centro da sua estratégia, a Fundação Champalimaud procura demonstrar que é possível conjugar tecnologia de ponta, cuidados clínicos avançados e responsabilidade ambiental.
Num setor que, à escala global, tem um peso significativo nas emissões de gases com efeito de estufa, iniciativas como as parcerias com a Philips e a Greenvolt mostram um caminho possível: o de uma saúde mais sustentável, em que inovação e clima deixam de estar em lados opostos e passam a reforçar‑se mutuamente.
Texto de Teresa Fernandes, Co-Coordenadora da Equipa de Comunicação, Eventos e Outreach da Fundação Champalimaud.